Friday, December 01, 2006

cidades invisiveis - um reencontro

certamente ela, a cidade invisivel, quem imaginei, refiz os tracos, busquei revisar todos os mapas que a minha vista podia absorver, certamente ela esta me esperando em frente ao palacio de bellas artes, as cinco horas da tarde.

Ela, um nome que eu levava ate a sacada do meu apartamento enquanto eu mirava a caligem tomando conta do centro de curitiba e a madrugada se anunciando no relogio do banco. Ela, a cidade invisivel que eu deixei e que agora estou revisitando.

na verdade foi como um teletransporte. Abro os olhos, mal-acostumados a dormir na vertical, me assusto ao passar por cima da cadeia de montanhas marrons, e logo a cidade se apresenta com o seu vale que nao tem fim. Mas nao me preocupo, porque ainda nao se trata dela, da cidade invisivel. Ainda sao apenas ruinas. O aviao da voltas e voltas, nao encontra lugar entre as pedras que enterraram o imperio azteca.

alguns passos e ja estou no metro mais escuro que conheco. A saudade eh realmente "um trem de metro, subterraneo, obscuro", lembro de uma amiga, de um tempo distante, de quando lentamente deixamos o brasil rumo a argentina. Porem agora nao, simplesmente sou jogado do dia para a noite num balde de lembrancas e inquietacoes, sem estrada, sem caminho, em processo, simplesmente estou na cidade do mexico e nao sei bem porque, enquanto dou o primeiro respiro com a fumaca e os pedestres me obrigam a andar. A cidade invisivel comeca a se delinear.

Todas as lembrancas e apontamentos do mundo me invadem, porque voltei ate aqui para ve-la? vou conseguir ir embora? o bilhete do aviao ja esta comprado, a migracao ja me deixou passar, mesmo assim, por que nao arrumo um problema pra que a migracao me deporte? Ela, a cidade invisivel.

saio do metro, dou a volta pelo corpo suntuoso do palacio, lembro dos murais de Rivera que estao ali dentro. lembro, lembro, lembro, tudo se encaixa, cenas de lugares diferentes dao as maos. logo a frente sei que vou encontra-la, uma parte do meu corpo diz nao, talvez o lado esquerdo, resiste, manca e faz a mochila pesar. Pra que correr o risco se ja me libertei uma vez? Sei que posso ir para o outro lado. Sei. A cidade do Mexico tem todos as linhas de metro que eu quiser, posso deixar as coisas no hotel vagabundo Buena Vista e simplesmente nao ser ninguem. E simplesmente caminhar para qualquer lado. Por que insistir em voltar alguns segundos para a cidade invisivel?

Sei, bem sei, que eu poderia ter evitado esta cidade, ficado com os seus signos na minha cabeca, mas nao respirar pelos poros do seu corpo, mas nao fragmentar-me de novo.

Teimoso, aceito o rencontro, e so agora, que a cidade invisivel se anunciou e desapareceu das minhas maos, virou nada vomo galhos tombados no chao, percebo que aceitei (e ate desejei), ao colocar ali os meus pes,
a perda.

1 Comments:

At 5:20 AM, Blogger Mariana Sanchez said...

che, também tou aqui, te acompanhando como sempre.
tão bom reencontrar as cidades invisíveis de Calvino e as "paisagens que não existem", do mestre Pessoa.
parabéns pela coragem de recomeçar, e que lindo isso de ir, indo.

 

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