Friday, December 08, 2006

segundo relato de Oaxaca

Hoje, dia 7 de dezembro, caminho pelas ruas de Oaxaca com mais tranquilidade. Me arrisco até mesmo a tirar umas tres ou quatro fotos. Sinto que meus companheiros jornalistas preferem trabalhar sozinhos e guardar as informacoes e os contatos para si. Ao menos por enquanto ainda sou novo no lugar, entao nao há risco em andar só durante o dia, apesar dos olhares da polícia federal preventiva, os “pefepos”, como se diz, donos do centro da cidade. Infelizmente tenho que passar por ali para comprar os jornais.

Sem dúvida o dia de hoje foi dos pintores, um batalhao deles estavam reforcando as cores cromáticas das casas. Resta pouco ou quase nenhum indício dos mais de seis meses da Comuna. Apenas algumas histórias que me contam as pessoas do centro de direitos humanos com quem passei quase todo o dia.

A estratégia da Sétima Megamarcha do dia 25 de novembro foi ousada, uma data a ser lembrada pois a partir daí a caca às bruxas se intensificou. Naquele dia os appistas queriam cercar todo o Zócalo (praca do poder) e manter a polícia dentro do círculo humano e massivo. Um dos problemas foram os infiltrados do movimento que causaram a onda de violencia que nao estava prevista pela APPO.

A oficina do centro de direitos humanos onde estou também recebe uma mao de tinta, mas por um motivo contrário. Nas suas paredes chegaram a pixar “Aqui se reúnem os da APPO”. Ainda ontem recaiu uma ordem de detencao sobre a advogada e coordenadora do centro, pelo motivo ter participado de alguma acao da APPO – a razao de sempre. Neste momento ela está no estado de Nayarit, visitando os presos políticos de consciencia.

Converso com uma radialista que está há quase um mes na cidade. A maioria dos jornalistas dos meios de comunicacao empresariais já debandaram devido ao discurso oficial de que a polícia federal preventiva trouxe a ordem para a cidade, em parte também porque esta guerra já nao vende uma primeira página.

Tenho a impressao de que um movimento tem que estar preparado para este tipo de refluxo e avanco do braco repressivo. Pois os mecanismos da sociedade civil estao desgastados (meios de comunicacao, mobilizacao civil). Sao pouco eficientes para barrar o terror. O movimento tem que saber tocar adiante com a sua própria forca e criatividade. Afinal, onde está agora a poderosa opiniao pública? Que influencia pode ter?

Duas pessoas chegam até a centro de direitos humanos assustados, pois seu irmao foi preso sem motivo aparente, numa acao típica de crime organizado. O irmao detido era simpatizante do movimento, vivia numa das colonias onde montaram uma barricada.

- “As barricadas eram uma forma de expressao, nada mais”, exclama um deles.

Desde Oaxaca de Juárez,
pedroca

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