a propósito
para gastao, outra vez
me contou o Jose, da Catalunya.
nós dois passamos juntos a minha última semana emChiapas traduzindo uma entrevista que ele tinha feito com um militante do MST. Só parávamos pra almoçar o delicioso caldo de “mole” que eu, infelizmente, só descobri nos meus últimos dias no México.
a cada frase interropíamos a tradução, às vezes pra eu explicar as idas e vindas, os tropeços e a malícia dessa nossa língua brasileira. Ele não se conformava com o nosso jeito de quebrar uma frase, começar um período e de repente refazê-lo. Essa coisa de misturar os verbos e as pessoas o Jose também não aturava. Outras vezes a gente respirava um pouco e dava um tempo no trabalho, para pensar, discutir e “concertar” o mundo, como se diz por lá. Ele lembrou uma noite num acampamento em território rebelde, numa roda marcada por gente de vários países, inclusive de um compa zapatista. Todos falavam de revolução e falavam de Lênin. O compa só escutava. O jeito que o catalão descrevia eu também conheci e me espantei quando vivi por lá. O compa falava na condição de zapatista, de miliciano, de representante dascomunidades? O compa era só um sorriso, por trás da máscara negra não há máscara nenhuma. E todos falavam de Lênin.Só que o compa, que de certa forma entrou de penetra na conversa, surgido da noite, como costuma acontecer,uma hora puxou o Jose num canto e perguntou:
- Escuta, compa, e isso de Lênin, o que que é?
....
Jose ainda titubeou uns segundos.
- É uma arma?

2 Comments:
E como o compa respondeu?
amigo, que belos relatos tenho lido aqui. tão belos e fantásticos que quase parecem ficção - mas nós sabemos que não é, e que a estrada tem esse poder de transmutar e colorir a realidade.
de longe, posso imaginar tudo o que estás vivendo no México, e sei que é especial.
cuida.
besos y abrazos partidos
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